ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 81ª edição | 09 de 2010.

Entrevista com Richard Simonetti

Richard Simonetti nasceu em 10 de outubro de 1935 em Bauru, interior de São Paulo em família de descendência italiana. Casado com Tânia Regina Simonetti, é pai de Graziela, Alexandre, Carolinae Giovana, e avô de Rafaela.

Foi funcionário do Banco do Brasil de 1956 a 1986, quando se aposentou e passou a dedicar-se inteiramente às atividades espíritas, particularmente no Centro Espírita Amor e Caridade, ao qual está ligado desde a infância.

O CEAC destaca-se pelo largo trabalho que desenvolve no campo social, envolvendo Albergue, Centro de Triagem de Migrantes, Atendimento à população de rua, Creche, Assistência Familiar, Cursos Profissionalizantes… A instituição beneficia perto de vinte e cinco mil pessoas, anualmente.

Expositor espírita, tem percorrido todos os Estados brasileiros, em centenas de cidades, e também outros países, como Estados Unidos, França, Suíça, Itália e Portugal… Articulou, em 1973, o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que presta relevantes serviços de divulgação em centenas de cidades.

De 1964 a 1994 participou da União das Sociedades Espíritas de Bauru, em seus Departamentos de Doutrina e de Divulgação. Responsável pela instalação do Clube do Livro Espírita de Bauru e pela manutenção da Livraria Espírita, sustentou expressivo movimento de venda de livros que proporcionaram recursos para a construção da sede da USE, em edifício de três pavimentos.

Colabora assiduamente em jornais e revistas espíritas como Reformador, Revista Internacional de Espiritismo e Folha Espírita. Tem quarenta e nove obras publicadas, com uma tiragem total de perto de dois milhões e duzentos mil exemplares.

É membro da Academia Bauruense de Letras.

CAE - Quantos livros o Sr. tem publicado, sobre o que abordam e quais os de maior vendagem?

SIMONETTI - São 49 livros. Há uma série sobre o Evangelho, outra sobre O Livro dos Espíritos, vários em sistema de perguntas e respostas, sobre reencarnação, espiritismo, mediunidade e temas diversos, romances e histórias, com perto de dois milhões de exemplares. Um sui generis: Fugindo da Prisão, basicamente para distribuição em penitenciárias, destacando que a verdadeira prisão é interior, envolvendo vícios e paixões. Curiosamente um delegado proibiu a distribuição numa penitenciária, sob a alegação de que pretendia facilitar a fuga dos presos. Ignorância bacharelada. O de maior vendagem é Quem Medo da Morte?, com perto de 250 mil exemplares. E não fiquei rico. Os direitos autorais são doados para as obras espíritas. A grande riqueza, inestimável, é a alegria de estar contribuindo para a divulgação da Doutrina Espírita.

CAE - Falando em livros, hoje em dia há uma queixa comum sobre a avalanche de livros rotulados como espíritas, mas que deixam muito a desejar tanto no conteúdo doutrinário como na qualidade literária. Mesmo as editoras mais tradicionais hesitam em publicar livros que não sejam romances devido ao baixo retorno comercial. Como coibir os abusos e “infiltrações” destas distorções em nosso meio sem recorrer aos boicotes e proibições?

SIMONETTI - Não podemos instituir um índex, que a Igreja Católica levou séculos para abolir. O jeito é dar preferência a editoras respeitáveis, preocupadas em divulgar a Doutrina de forma coerente e produtiva, como FEB, IDE, Clarim, CEAC e outras, que privilegiam a qualidade. E considere-se o mercado. O velho ditado, "cada povo tem o governo que merece", na medida em que é o povo quem escolhe o governo, pode ser aplicado aos livros espíritas: teremos aqueles que merecemos, os de nossa escolha.

CAE - Além de escritor, em quais outras áreas do Movimento Espírita o Sr. atua?

SIMONETTI - Sou expositor espírita e diretor do Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru, uma das maiores organizações espíritas de nosso país, com largo trabalho no campo social e doutrinário. É ele quem mantém a CEAC-Editora, que vem publicando vários livros meus. Estou empenhado na instituição com grupos mediúnicos disciplinados e produtivos. Entendo que a prática mediúnica é o aspecto sagrado do Espiritismo e um dos grandes recursos para ajudar espíritos desencarnados em perturbação, que constituem multidões no mundo espiritual.

CAE - Como avalia as repercussões, na sociedade, das comemorações do centenário de nascimento do médium Chico Xavier, divulgadas pela mídia em geral e no cinema em especial?

SIMONETTI – É, sem dúvida, o ano do Espiritismo no Brasil, com uma divulgação pela mídia como jamais aconteceu. Nunca os Centros Espíritas foram tão procurados, nunca se vendeu tantos livros espíritas. Chico está trabalhando pelo movimento espírita mesmo depois de desencarnado. Abençoado do Chico.

CAE - O senhor também é de opinião que Chico Xavier foi a reencarnação de Allan Kardec? Por quê?

SIMONETTI - Admito por "n" razões que possa ser, mas não brigo por isso. É uma questão de foro íntimo e costumo dizer que dentro de alguns decênios, quando as opiniões forem menos passionais, teremos condições para definir com exatidão, com informações confiáveis da espiritualidade.

CAE - Algumas práticas como a Apometria e a Terapia de Vidas Passadas têm sido muito combatidas por setores do Movimento Espírita. Algo errado com elas ou é pura implicância conservadora?

SIMONETTI - Não posso dizer nada sobre a apometria, porquanto não a estudei. Quanto à TVP é um recurso muito eficiente para ajudar pessoas que experimentam traumas relacionados com vidas anteriores. Não é uma panaceia, mas em casos específicos, como mortes traumáticas no passado, a gerar fobias no presente, apresenta excelentes resultados. É um trabalho para profissionais da saúde devidamente habilitados, em seus consultórios, fora do Centro Espírita.

CAE - Temos recolhido ao longo do tempo declarações suas muito interessantes, várias delas relacionadas com a temática da morte. Gostaríamos que o senhor falasse um pouco sobre isso. Por exemplo, o senhor já disse que dia e hora marcados para a morte não corresponde à realidade. Poderia explicar?

SIMONETTI - Quem diz isso é André Luiz, ao informar que é tão difícil o Espírito cumprir integralmente suas tarefas e o tempo de vida que lhe foi concedido que, quando isso acontece, é recebido com festas no Mundo Espiritual. Independente dessa informação, basta observar os crimes que são cometidos, os acidentes oriundos da imprudência, as matanças nas guerras, guerrilhas e terrorismo, os estragos produzidos pelos vícios, os estados depressivos, o comportamento neurótico, para saber que raros cumprem integralmente o tempo que lhes foi concedido.

CAE - Em várias ocasiões citou eventos trágicos que ceifaram milhares de vidas como os atentados terroristas nos USA em 2001, as bombas de Hiroshima e Nagasaki, quedas de aviões, o afundamento do Titanic, etc e sua interpretação é a mesma, isto é, que os mesmos não obedeceram a uma determinação divina, mas foram fruto da imperícia ou maldade humanas. É assim mesmo?

SIMONETTI - Se o mal produzido pelo homem em prejuízo do próximo, chegando a provocar a sua morte, é obra de Deus, deveremos eximir os responsáveis. Teriam agido como intermediários divinos, o que seria um absurdo.

CAE - E quanto ao Holocausto nazista, também se inclui neste tipo de acontecimento?

SIMONETTI - Sem dúvida. Inconcebível que Hitler e seus comparsas matassem seis milhões de judeus por determinação de Deus. O mal nunca é de inspiração divina. É sempre fruto da maldade humana.

CAE - Mas tudo o que ocorre no mundo não é por vontade de Deus conforme o “nenhum fio de cabelo cairá de sua cabeça sem a vontade do Pai”, do evangelista Mateus cap.10 vs.30?

SIMONETTI - Embora consagrada pelo uso, essa sentença não existe. A citação correta é a seguinte: Mateus 10.29-31: "Não se vendem dois pardais por um centavo? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E quanto a vós, até os cabelos todos da cabeça estão contados? Não temais, pois; bem mais valeis do que muitos pardais." Se saio a dar estilingadas, matando passarinhos, certamente não terá chegado a hora deles nem estarão morrendo para atender a desígnios divinos. O mal não acontece pela vontade de Deus, mas com seu consentimento, permitindo que exercitemos o livre arbítrio, assumindo consequências cármicas por nossas ações. É assim que nos tornamos responsáveis, aprendendo a respeitar o próximo.

CAE - Do ponto de vista espírita, o que é moralmente mais – ou unicamente – aceitável, a distanásia que é o prolongamento da vida biológica artificialmente mesmo que não haja mais possibilidade alguma de recuperação do paciente ou a ortotanásia que prevê o desligamento dos aparelhos e suspensão de tratamentos inúteis?

SIMONETTI - Não temos o pensamento espírita a respeito dessa questão, porquanto no tempo de Kardec não havia a mínima possibilidade de prolongar a vida usando recursos tecnológicos. Assim, temos a opinião dos espíritas, não o ponto de vista da doutrina. Na minha opinião, fico com ortotanásia. Se o paciente é terminal, que lhe ofereçamos conforto e alívio para suas dores, mas sem prolongar sua agonia.

CAE - Até que ponto a medicina pode ou deve interferir na saúde humana considerando os aspectos cármicos geralmente envolvidos?

SIMONETTI - Segundo nos informam os mentores espirituais, todas as dores determinadas pela Justiça Divina são amenizadas pela divina misericórdia, quando nos apresentamos para o resgate. Um de seus instrumentos é a medicina.

CAE - A respeito do uso de embriões congelados para pesquisas conforme lei vigente, o senhor pensa também como muitos que ali se configura a prática do aborto? Ou no caso da reprodução assistida em laboratório, a ligação do Espírito reencarnante se dá em outro momento?

SIMONETTI - Não consigo ver Espíritos congelados em laboratório, e sem eles o embrião é apenas uma promessa de vida. Entendo que esta se consolida quando o embrião é implantado no útero materno. É a partir daí que poderá ocorrer uma reencarnação. Mas ainda aqui temos a opinião dos espíritas não um princípio doutrinário, já que não havia, nem por sonho, essa possibilidade ao tempo de Kardec.

CAE - O IBGE (no Censo) inventou a religião kardecista. Nós sempre insistimos que devíamos ser tratados como espíritas. O que fazer?

SIMONETTI - O problema é que, conforme listagem do IBGE, há muitas seitas que usam o nome Espírita, embora sem expressão. Daí a intenção de caracterizar o adepto do Espiritismo como Kardecista. Não creio que Kardec vá revirar-se na sepultura por isso. É válido tentar preservar a definição "espírita" apenas para quem aceita os princípios codificados por Kardec, mas temo tratar-se de uma luta inglória, já que vem sendo progressiva e inexoravelmente adotada fora de nossos arraiais.

CAE - Para finalizar, vamos a um JOGO RÁPIDO.

a) dois livros - um espírita e outro não espírita: espírita: Paulo e Estevão, de Emanuel, psicografia de Chico Xavier; não espírita: História do Século XX, de Geoffrey Blainey.
b) eleições: o povo decide.
c) uma música: Além do arco-iris.
d) uma alegria: servir.
e) um lazer: ler.
f) um lugar: Bauru
g) um vulto espírita encarnado e um desencarnado: Hugo Gonçalves e Hernani Guimarães Andrade
h) um sonho: ver o Espiritismo disseminado.
i) a criança: preparo para a semeadura.
j) o idoso: véspera da colheita.

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