ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 90ª edição | 03 de 2012.

Autorretrato

 

Os espíritas no Censo de 2000 e os públicos-alvo

de Kardec; como elaborar bem uma notícia;

livros espíritas: definição, proibições e o

exemplo do Codificador

 

          O Censo Demográfico de 2000 foi assunto do “ADE-PR Informativo”, edição n° 31, referente ao bimestre maio-junho de 2002, na página 08, em artigo de Ivan René Franzolim e, até por causa dele, também no texto principal da primeira página. Neste, foram inseridos números não presentes no outro texto. Por exemplo, o crescimento verificado naquela última década entre os espíritas no estado do Paraná que passaram de 0,55% em 1990 para 0,66 em 2000.

            Também se informou a escalada deste segmento em termos nacionais, começando em 1950 quando havia 0,82% de profitentes, passando para 0,97 em 1960; 1,2% dez anos depois; e 1,5% em 1980. Já para 1991, as estimativas apontavam para 4,6% ou 6,9 milhões de pessoas, mas, ao final, apurou-se somente 1,12; e 1,38% em 2000. Ao lado dos espíritas “assumidos” presumem-se sempre os simpatizantes, um contingente avaliado em três ou quatro vezes ao daquele.

            A matéria de capa abordou justamente este endosso de considerar também os simpatizantes a partir de um conceito do próprio codificador Allan Kardec na edição de julho da “Revista Espírita” quando ele afirmava que “espírita é todo aquele que simpatiza com os princípios fundamentais” da doutrina.

            O mestre lionês mencionou a “massa considerável dos espíritas de intuição”, os tendentes e indecisos que ele avaliava em 25% do total da população. Distinguia entre os “reais” subgrupos como os ‘adeptos de coração’, os que aceitavam a filosofia, os levianos e os mais ou menos sérios que se escondiam por razões diversas como preconceito, medo do ridículo, motivos pessoais, pressões familiares e até motivos respeitáveis. Mesmo os adeptos imperfeitos são úteis, afirmou.

Na edição de setembro do mesmo ano, Kardec retomou o assunto, no texto “O Espiritismo apenas pede seja conhecido”. Já em janeiro do ano seguinte, o sábio francês dividiu a massa de indivíduos em 15 categorias, avaliando as chances, em porcentuais, de quantos de cada uma delas poderiam se tornar espíritas. “Os terrenos mais férteis” estariam entre os crentes insatisfeitos de outras religiões, com 80%, chegando a 90% entre os incrédulos por falta de melhores opções e os livre-pensadores, atingindo os 100% naqueles que já eram espíritas sem o saber, isto é, os ‘por intuição’.

O texto do nosso jornal encerrava com um questionamento sobre o papel desempenhado pelos Centros Espíritas neste processo todo de induzir à convicção espírita.

Na seção “Subsídios para a melhoria da imprensa espírita”, tópico XIII e o terceiro a respeito da “Notícia”, pinçamos algumas informações mais relevantes para quem atua na área jornalística. Por exemplo, a recomendação de não se esquecer que o periódico sempre tem novos leitores e, por isso, quando se noticia um acontecimento que se desdobra por mais de uma edição ou guarda sequência com outro já publicado, deve-se reprisar resumidamente o conteúdo anterior.

Outro cuidado é “referenciar e circunstanciar as notícias”, citando cargos dos envolvidos, nomes e datas, etc. Se a notícia possuir interesse restrito, limita-se a uma apresentação sintética desde que responda às sete perguntas básicas: o que, onde, como, quem, por que, quando e quanto. Caso ela possa repercurtir para um círculo mais amplo de público, além da notícia em si, é oportuno torná-la um texto interpretativo ou opinativo.

Outro ponto importante é o título da notícia que deve chamar atenção para a mesma “de forma objetiva, resumida, capaz de prender a atenção de qualquer um que lhe ponha os olhos”; é o seu espelho. Suas exigências: palavras curtas, usuais e colocadas em estilo correto. O título deve ser claro e em correspondência ao conteúdo.

A matéria especial das páginas centrais, assinada por Wilson Czerski, “Livro Espírita: a qualidade e o direito de escolha” iniciou perguntando sobre o conceito de livro espírita. Basta ser mediúnico? Se escrito por estudiosos ou cientistas abordando temas como reencarnação, EQMs, TCI seriam espíritas?

Depois falou sobre os abusos de autores, editoras e distribuidores, ficando com o leitor a culpa menor. Daí a propriedade de se investir em seu julgamento. O que é rejeitado não vende e o que não é vendido deixa de ser publicado. O leitor precisa aprender a exercitar seu discernimento, mas não ser proibido de ler este ou aquele livro.

Na Revista Espírita (outubro, 1863), Kardec declara: “Ora, a essa idade em que a

Faculdade de compreender está adulta, não pode ser conduzido como na infância e adolescência... quer-se saber porque a razão de se a prescrever ou proibir”. Já na edição de janeiro de 1861 é ainda mais explícito: “Proibir um livro é provar que o tememos”. E ele exemplificava. Publicava mesmo artigos ou matérias que combatiam a doutrina nascente. “Dissecava os textos, apontava os erros, refutava os argumentos falsos ou insuficientes”.

            O autor do nosso artigo, mais à frente, recorda também os comentários elogiosos de Kardec ao romance Ignorado Amor, (Spirit, no original), de Théophile Gautier que não era espírita e citava Swedenborg que, embora considerado um precursor do Espiritismo, na verdade era um místico. “Para isto (escrever) é, pois, necessário – dizia Kardec – ser espírita crente e fervoroso? Absolutamente: basta ser verídico... para fazer uma obra espírita mesmo fantástica, o é (preciso) impregnar-se do espírito do Espiritismo”.

            Ao fecho desta primeira parte da matéria (cuja conclusão também recordaremos na próxima edição), Wilson reproduz opinião de Joamar Zanolini Nazareth (Anuário Espírita, ed. IDE, 2002) sobre as razões pelas quais não se deve elaborar “listas de seleções institucionalizadas”, como quem teria capacidade de criar os critérios ideais ou o caráter de liberdade do Espiritismo que não deve propugnar por uma uniformização de pensamentos. “Aquele que se aventurasse a criar uma lista estaria se arvorando a ser o mais elevado espiritualmente... típico pensamento de ditadores...”.

No texto assinado por Ivan Franzolim, na página 08, ele comenta sobre a grande diferença de números dos que frequentam os Centros Espíritas esporadicamente, adotam algumas de suas ideias, consomem a literatura espírita, interessam-se por filmes com tal temática, mas não participam de seu Movimento.

Chama atenção para o fato de que os esforços dos católicos em jornais, rádio, televisão e internet não evitaram a queda do número de suas fileiras, perdendo parte do “rebanho” para os evangélicos, decerto mais eficientes no uso destas mídias. Naquela década, Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal haviam apresentado índices de espíritas superiores à média nacional enquanto Maranhão, Piauí e Amapá, inferiores.

“Nossa participação na grande mídia ainda é escassa... precisamos de uma política nacional de comunicação”, afirmou o articulista. “Se o produto é excelente, por que o consumo é pequeno?”.

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