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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 91ª edição | 05 de 2012.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Excelente livro de um dos maiores pesquisadores espíritas brasileiros, Hermínio C. de Miranda. Extremamente útil para quem trabalha com desobsessão e grupos mediúnicos em geral. Mas não menos valioso para os estudiosos espíritas e, além dos sítios doutrinários, fonte alternativa de conhecimentos a psiquiatras e psicólogos.

Apoiado em décadas de intenso labor do próprio autor na área das influências espirituais à mente dos encarnados e ampla bibliografia, a maioria de estrangeiros, a obra apresenta-se com abertura de pensamentos, conceitos e teorias sobre a eclosão de manifestações de personalidades estranhas à individualidade normal. Não se prende, portanto, a modelos padronizados pela ciência oficial no trato das “anomalias” mentais da SPM ou Síndrome da Personalidade Múltipla, nem tampouco se reduz às explicações místicas, fantasiosas ou pouco aprofundadas das religiões.

No primeiro capítulo, reproduz as três condições envolvidas no diagnóstico e tratamento da SPM: histeria, dissociação mental por cisão da personalidade e a fusão ou ressintetização da personalidade fragmentada.Para tanto transita por Janet, Bernheim, Charcot, Freud, William James, De Rochas, Bozzano. A histeria (de hysterou = útero), tida até o século XIX exclusivamente como fisiológica, atualmente é conceituada como conflito emocional por imaturidade, dependência ou mecanismos de defesa de associação e conversão de impulsos inconscientes transmutados em sintomas físicos.

Ao examinar a histeria como uma cisão da personalidade ou dissociação da consciência, Hermínio lembra a xenoglossia estudada por Bozzano e indaga se não seria mais lógico e simples admitir a atuação dos espíritos. Apesar de William James, sem a admissão formal, tenha classificado tais fenômenos em mediúnicos e de possessão e até conversado com amigos e parentes seus e da esposa falecidos.

No capítulo sinistramente denominado de “Empresta-me teu corpo”, o autor ocupa-o todo com o dramático caso de Mary Roff, vítima de crises mentais graves – porém, também médium magnetizadora e clarividente - desde praticamente que nasceu, em 1848, até a desencarnação com apenas 19 anos de idade. Mas o mais intrigante viria depois com o nascimento de Lurancy Vennum e as posteriores alternâncias entre estas duas personalidades de até 110 dias consecutivos.

Essas possessões, em contraposição ao que sempre se imagina, não são, necessariamente violentas ou tumultuadas; podem ser tranquilas, ordenadas e até benéficas. Mary, de posse do corpo de Lurancy, afirmava que o fazia para proteger a outra de entidades inferiores. Durante uma das “crises”, Mary deu à luz por Lurancy. Depois de várias idas e vindas, Mary deu por cumprida sua missão e deixou a outra livre em definitivo. Lurancy tornou-se uma senhora respeitável e saudável, mãe de 11 filhos.

Em outro caso citado, a personalidade original ficou fora do corpo por quatro anos e, em mais outro, nunca mais retornou, caso este longamente analisado no capítulo IV. A justificativa para o título do livro vem do fato que muitas vezes o que se nota não é uma personalidade estranha ou secundária a invadir e substituir a reencarnada naquele corpo, mas da interferência de várias delas em curto intervalo de tempo. 

Era justamente o que ocorria com Félida, sendo que as substituições se faziam diretamente de uma personalidade estranha a outra e a uma terceira ou quarta, sem que a dona do corpo tivesse chance de interrompê-las. O entra-e-sai de personalidades, interpretado por alguns estudiosos como o Dr. Azam, da Faculdade de Medicina de Bordeaux, como simulação da personalidade original é o que caracteriza o condomínio.

Félida era a dona verdadeira do corpo, mas no condomínio de espíritos que ele virou, a síndica era outro espírito. Ele disciplinava o tempo que cada um dos outros podia permanecer no seu uso, por exemplo. Com Félida não se sabe como sua tentativa de suicídio foi frustrada, mas em Sybil (entidade original de outro caso estudado), foi Vicky, a síndica, que no momento crítico apossou-se e impediu o ato. Depois comunicou o fato à médica.

Se o Cel. De Rochas já havia detectado a existência dos pontos hipnógenos no corpo dos sensitivos que uma vez tocados proporcionavam a ocorrência dos transes hipnóticos, experiências foram realizadas pelos Drs. Bourru e Burot com uma espécie de passe (como o dos espíritas), fricções no estômago, por exemplo, para produzir melhoras num soldado diagnosticado como histérico. Às vezes, a fricção era feita a certa distância e em outras ocasiões usaram uma barra de ferro imantada. 

A surpresa ficou por conta do fato de que a cada região magnetizada, emergia uma personalidade diferente, perfeitamente caracterizada em suas expressões. A obtenção desses transes foi obtida também com o uso de cloreto de ouro ou nitrato de mercúrio.

        Interessante a hipótese de Hermínio de Miranda para a causa dessas transposições de personalidades. A observação de vários fatos levaram-no a pensar na associação deles com algum acontecimento causador de choque emocional, situações estressantes como um susto ou perigo que armariam o dispositivo psico-físico do desmaio. Impedido de fugir fisicamente do pânico ou mal-estar, “abandonaria o corpo e fugira com o corpo energético”. Isso porque o afastamento do perispírito ocorre na hipnose, nos estados depressivos, na sonolência, nos choques emocionais ou físicos como uma pancada na cabeça, no desmaio, com angústia profunda, desespero ou pânico.

Mas Hermínio não descarta outras possibilidades para explicar alguns destes fenômenos de dupla, ou melhor, múltiplas personalidades. À página 203, ao tratar do caso Christine L. Beauchamp, estudado durante sete anos e transformado em livro pelo Dr. Morton Prince em 1905, ele recorre também à hipótese de que as diversas personalidades secundárias não sejam fruto de entidades extracorpóreas, mas emersões da mesma alma quando em vidas anteriores. Christine apresentava três outras personalidades com caráter diferente, forma individual de pensar, opiniões, crenças e temperamento, conquistas, gostos, hábitos, experiências e memórias.

Há outros casos notáveis como o de Eve e suas 22 personalidades, Sybil e 14 (duas masculinas), o de William S. Mulligan que tinha 24 personalidades, pelo qual se manifestava homens, mulheres, crianças, bandidos, artistas, diferentes nacionalidades. Já Henry Hawksworth ficou fora do próprio corpo dos três aos 43 anos, após um simples desmaio e tinha cinco personalidades.

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