ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 111ª edição | 09 de 2015.

Traços Biográficos

Cairbar Souza Schutel, o “Bandeirante do Espiritismo”, reencarnou em 22/09/1869. Ao noticiar sua morte através do jornal Mundo Espírita, Leopoldo Machado reproduziu a denominação “O espírita nº 1 do Brasil”, cunhada pelo médico campineiro Souza Ribeiro quando o corpo era sepultado. Já o cognome presente no início deste parágrafo deve-se a Eduardo Monteiro e Wilson Garcia, título do livro que sobre ele escreveram, justificando a homenagem com a ação desbravadora e pioneira na difusão da Doutrina Espírita.

Aos nove anos, num intervalo de seis meses, tornou-se órfão de mãe e pai, tendo indo morar com o avô. Aos 17 gerenciava uma farmácia em Araraquara. Em 1899, ajudou Matão que pertencia àquele município, emancipar-se, tornando-se seu primeiro prefeito.

Seu primeiro contato com o Espiritismo foi através da mediunidade do Sr. Calixto Nunes de Oliveira. Logo na primeira sessão com o jovem Cairbar presente, manifestou-se um espírito que se identificou como D. Pedro II. Sério, benévolo, o mensageiro referiu-se sobre sua futura missão. Em 15/07/1905 fundou o C.E. Amantes da Pobreza.

Suas atividades logo despertaram a ira de muitos. Corajoso, destemido, espírito combativo, inteligente, não se intimidou. Atacado por um padre, defendeu vigorosamente a Doutrina Espírita. O padre exigiu que o delegado fechasse o centro e a farmácia fosse boicotada. Padres estrangeiros vieram a Matão para atacar do púlpito o herege. Cairbar respondia entregando o jornal e mensagens espíritas de mão em mão, até na porta da igreja.

Proibido de falar em praça pública, desafiou a ordem invocando a Constituição e discursou até o fim, mesmo ameaçado por uma turba enfurecida e armada com porretes, liderada pelo padre. Mais tarde este desculpou-se pela perseguição, deu-lhe um abraço e uma bíblia e reconheceu em Cairbar um homem de bem.

Cairbar aviava as receitas em sua farmácia com ou sem dinheiro. Diariamente saía gente de sua casa carregando alimentos e roupas. Para ajudar um doente, pobre ou obsidiado, não tinha dia ou hora, mau tempo, cansaço, falta de recursos, distância. Sua casa muitas vezes virava hotel, hospital, asilo para velhos e crianças desamparadas e até cães e gatos sem dono. 

Divulgava o Espiritismo de todas as formas possíveis: pelo O Clarim, em jornais leigos como o Correio Paulistano, falava nas praças, em rádios. Em 15/02/1925 lançou a Revista Internacional de Espiritismo, voltada ao aspecto científico. Escreveu 16 obras, sendo a primeira “Espiritismo e Protestantismo”, em 1911, fruto da polêmica religiosa travada entre ele e o professor Faustino Ribeiro Júnior pelas colunas do jornal O Alfa, de Rio Claro.

Sempre que atacado, respeitava o ofensor, mas esmigalhava a ofensa. Usava todos os espaços disponíveis para divulgar a mensagem espírita: centros, cinemas, teatros, microfones das rádios. Na Cultura de Araraquara, foi o pioneiro nessa atividade, a partir de 19/08/1936 até sua desencarnação.

Incansável, liderava verdadeiramente, sempre à frente, incentivando, participando; nunca tirou férias. Descansava de uma coisa fazendo outra, sempre achando que era pouco.

Padecendo de angina, numa quarta-feira, pelo amigo Urbano Assis Xavier, comunicou-se uma entidade chamada Pai Jacó informando que no domingo ele estaria curado. “Vai haver festa, discursos” e todos ficaram contentes. No dia 30/01/1938, após receber um passe do amigo Francisco Volpe, expirou, cumprindo-se a profecia da cura espiritual.

Na manhã seguinte, Cairbar comunicou-se psicograficamente e novamente quase à hora da saída do féretro. Partia, sob discursos, o “Pai da Pobreza”, como era localmente chamado.

A seguir ilustramos essa breve biografia com algumas frases, ensinamentos, notícias veiculadas por Cairbar. Do livro “A vida no outro mundo”, destacamos o seu caráter precursor dos ensinos de André Luiz, escrito cinco anos antes de “Nosso Lar”, sobre a constituição, organização e atividades dos mundos espirituais. Afirmava a dependência dos perispíritos dos menos evoluídos de oxigênio, alimento e medicamentos. Ainda ali, escreveu sobre a sobrevivência dos animais e da vida nestes mundos espirituais. Já em “Gênese da alma” narra uma possível comunicação do cão Rolg em Manheim, em 1913, por tiptologia. Outro cão, Bob, do astrônomo Jorge Graeser, colega de Flammarion, apareceu ao dono na hora em que morria. Para Flammarion podia ser a alma do animal ou uma projeção do seu pensamento pedindo socorro.

Sobre o materialismo, Cairbar afirmava que é incoerente em seus ensinamentos, absurdo em suas divagações e prejudicial em suas conclusões. Na RIE, de junho de 1937, escreveu: “O verdadeiro sábio sacrifica os seus erros no altar sagrado da verdade e veste-se com a túnica da humildade para penetrar no Templo da Luz onde acende a sua candeia para iluminar a humanidade”.

Segundo o Boletim “Todos nós”, da Sociedade Beneficente Espírita de Jacarezinho-PR, de junho de 2002, em 27/06/1938, o espírito de Cairbar teria se materializado no Círculo Espírita de Manchester, atravessou a sala e deu a mão a Frederico Duarte.

No livro “O espírito do cristianismo”, Cairbar narra o extraordinário caso dos meninos Pansini, em Bari, Itália, que foram transportados a 45 quilômetros em 15 minutos, por efeito mediúnico. Na RIE de agosto de 1935, noticia que os Drs. Matla e Zaalberg van Zelst pesaram o corpo astral, encontrando para ele mais ou menos 60 gramas. Já o Dr. Duncan Mc. Dougall, de Harvehill - USA pesou moribundos e confirmou esse peso.

Pela mesma revista, abril de 1933, informou que Giordano Bruno fazia girar as mesas; Leonardo da Vinci assistia materializações no Coliseu. A Napoleão I, um desconhecido invisível o obrigou a abdicar ao trono de Fontainbleau e também ele, Napoleão, apareceu à sua mãe para anunciar que havia morrido em S. Helena, muito antes que a notícia fosse dada. Na corte de Napoleão III, Douglas Hume fez prodígios e em sessão privativa predisse à Imperatriz Eugênia a catástrofe da guerra franco-prussiana, a queda do esposo e a morte do príncipe imperial. O monge Gregório anunciou todas as catástrofes da Rússia Imperial e Nicolau II vivia entre médiuns e evocadores.

Por todo este trabalho exemplar, notadamente na área da divulgação espírita, em 2001, Cairbar Schutel foi escolhido patrono da ADE-PR.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2020 / Desenvolvido por Leandro Corso