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Jornal Comunica Ação Espírita | 71ª edição | 01 de 2009.

Redação do texto jornalístico - XV

Por Y. Shimizu

Conforme foi dito no número precedente, um dos equívocos de natureza gramatical mais frequente em textos jornalísticos é a questão da concordância.

Foi, então, abordada a concordância nominal. Aqui, no presente número, serão enfocados os principais problemas atinentes à concordância verbal.

De acordo com Eduardo Martins, a regra básica da concordância verbal diz que “o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa”. Ex: As vassouras removeram os entulhos. Há, contudo, diversos casos particulares que exigem a atenção do redator.

O sujeito composto, como norma, leva o verbo para o plural, esteja o verbo antes ou depois do sujeito. Ex: O pai e o filho assaltaram um supermercado. Eu e ela fizemos as cartas. Todavia, o verbo pode ficar no singular: a) quando ele está antes do sujeito composto; (porém quando tais sujeitos são nomes próprios o verbo vai para o plural). Ex: Aqui passa o ônibus e o automóvel. Chegaram hoje Paulino e Jorge. b) quando os dois sujeitos estiverem ligados pela preposição com, se o primeiro prevalecer sobre o segundo (neste caso, recomenda-se colocar o segundo entre vírgulas). Ex: O prefeito, com seus secretários, adentrou o recinto da Câmara Municipal. c) quando os sujeitos são compostos por orações ou verbos no infinito. Ex: Beber e comer com moderação conserva a saúde. d) quando os sujeitos são termos sinônimos. Ex: Um aceno, um gesto bastava. (2001, p. 75 e 76).

Dad Squarisi diz que em casos de sujeito composto: a) quando o verbo vem antes do sujeito composto, ele pode concordar com o sujeito mais próximo”. Ex: Passará um auto e uma moto. b) quando os núcleos são ligados pela conjunção com (com valor de e), nem, não só... mas também, tanto... quanto, um e outro, o verbo vai para o plural. Ex: Nem ele nem ela estiveram lá. c) quando os núcleos são ligados pelas conjunções ou...ou: se indicar exclusão ou sinonímia, o verbo vai para o singular; porém, se indicar inclusão, o verbo vai para o plural. Ex: Ou Pedro ou Paulo virá ao Brasil para o desfile. Ex: (Ou) furto ou roubo são ambos crimes (2005, p.84 e 85).

Luiz Sacconi lembra que quando aparecem entre os sujeitos as palavras como, menos, exceto, bem como, assim como, tanto quanto, o verbo concorda com o primeiro elemento. Ex: Todos, menos você, me cumprimentaram (1990, p. 354).

Dad Squarisi afirma, ainda, que nos casos em que o sujeito é representado por um ou outro, nem um nem outro, ou por um termo coletivo, o verbo fica no singular; (mas, se o sujeito for um e outro o verbo vai para o plural). Ex: Um ou outro pode ser um salafrário. Nem um nem outro apareceu em casa (2006, p. 85).

Luiz Sacconi alerta que nome próprio terminado em s (com a idéia de singular) sem a companhia de artigo leva o verbo ao singular, enquanto que quando acompanhado de determinante plural remete o verbo ao plural. Ex: Amazonas é um rio caudaloso. Os Estados Unidos eram uma nação economicamente desenvolvida. Meus óculos estão aqui.

Ele diz que coletivos partitivos (a maioria de, metade de, grande parte de etc.) seguido de nome no plural pode deixar o verbo no singular ou no plural. Ex: A maioria das mulheres gritaram de medo (1990, p. 348). Mas, ressalta que a expressão “um dos que” exige o verbo no plural. Diana é uma das mulheres que compareceram ao pleito (1990, 351).

Com os verbos ser e parecer, a concordância se faz de preferência com o predicativo. Contudo, quando o sujeito for pessoa, o verbo concorda com ele. Ex: Tudo são apenas sentenças. Jarbas não é dois funcionários.

Todavia, o verbo ser fica no singular: a) quando se deseja fazer prevalecer a importância do sujeito sobre o predicativo. Ex: Meu prazer é os meus filhos. b) quando o predicativo é constituído por termos como muito, pouco ou bastante. Ex: Vinte reais é muito (1990, p. 357).

Nailor Gondim explicita que nesses casos, quando o predicativo é um substantivo no plural, o verbo vai para o plural. Ex: Tudo são ilusões.

Ele diz, também, que o verbo vai para o plural quando o sujeito é indeterminado. Porém, vai para o singular se for empregado o pronome se. Ex: Não se vive de migalhas. Estavam aplaudindo o cantor (1993, p. 106).

Ainda é Sacconi que explica: quando ocorre um verbo transitivo direto + se + sujeito paciente, o verbo normalmente concorda com esse sujeito. Ex: Alugam-se roupas. Vende-se este caminhão. Os verbos sem sujeito (impessoais) são usados sempre na 3ª pessoa do singular. Ex: Chove muito nesta capital. Faz verões tórridos no estados do nordeste (1990, p. 345 e 346).

Eduardo Martins chama a atenção para os casos: a) em que o verbo, complemento, aposto ou oração dependente está antes do sujeito, mas que a concordância deverá ser com o sujeito. Ex: Os atestados indicam assinalada uma hipoteca. Ficou evidenciada uma luxação. b) em que o núcleo do sujeito fica distante do verbo, mas que a concordância se efetua com esse núcleo. Ex: Os preparativos para a festa de formatura exigiam muitas pessoas. c) em que o núcleo do sujeito está no singular, acompanhado de uma expressão preposicionada no plural, que modifica ou completa o sentido, o verbo fica no singular. Ex: O preço dos ingressos foi aumentado a partir de ontem (2001, p. 79).

Referências

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.

MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo. São Paulo: Oesp, 2001.

SQUARISI, Dad. Manual de redação e estilo. Brasília: Fundação Assis Chateaubriand, 2005.

GONDIM, Nailor. Manual padrão para redações. São Paulo: Página Aberta, 1993.

SACCONI, Luiz A. Nossa gramática. São Paulo: Atual, 1990.

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