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Jornal Comunica Ação Espírita | 135ª edição | 09 de 2019.

O que esperar da morte?

Por Carlos Augusto de São José

Nos meses de novembro, em todos os anos, retornam os velhos hábitos do culto aos que morreram, tradicionalmente chamados de “finados”. Choro, preces e flores compõem as manifestações de antigos rituais que, atravessando séculos, foram sustentados pelo dogmatismo religioso.

O Espiritismo reconhece o valor relativo, quando sincero, dessas manifestações, como bem explicita “O Livro dos Espíritos”, na questão 321 e nas outras adjacentes, mas avança objetivamente, mostrando a complexidade da vida de relação entre os dois planos de existência. 

Foi por esta razão que Allan Kardec deu, nesta mesma obra, espaço para mais de 100 outras questões, como consta da Parte 2ª, Capítulo IX, sob o título “Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal”. Nelas, fica absolutamente claro que eles, os Espíritos, nos influenciam muito mais do que possamos imaginar, como nós, os ainda encarnados, os influenciamos com as nossas atitudes e pensamentos, de tal forma, que podemos afirmar que somos reflexos uns dos outros.

Os nossos amados, que se foram para os planos espirituais, permanecem ligados, sempre aos nossos corações. Como nós, que não os esquecemos na contemplação de fotos e lembranças deixadas.

Nas faixas desses interesses, vibram e agem os protetores espirituais, sempre atentos, para que o amor não se dilua numa tristeza depressiva nem o ódio reacenda fogueiras dizimadoras de esperanças.

Daí, a importância da divulgação de livros e mensagens, da realização de palestras e seminários, na intimidade das Casas Espíritas, versando sobre o tema, para que esses protetores possam levar os que sofrem, mas que já possuem o firme propósito de encontrarem a verdade que possa libertá-los das dores sazonais, periódicas, algemados que ainda estão aos velhos e caducos princípios do primarismo religioso.

Por década ainda veremos os cemitérios lotados de corações saudosos.

Mas, lenta e progressivamente, com o descortínio da fé racionada, o Espiritismo conseguirá esvaziar os chamados “campos santos”, levando a esses mesmos corações a certeza de que eles, os “mortos”, estarão permanentemente conosco, onde estivermos, porque Deus jamais separa os que verdadeiramente se amam, como tão claramente afirma Léon Denis, em sua obra “Depois da Morte”, item 61: Uma estreita solidariedade liga os Espíritos iguais por sua origem e pelos seus fins diversos apenas pela sua condição transitória; uns livres no espaço, outros com o fardo de invólucro perecível, mas suscetíveis, alternadamente, de um e de outro estado, pois a morte não é senão um período de repouso entre duas existências terrestres. Vindo de Deus, seu Pai comum, todos os Espíritos são irmãos e formam uma imensa família; uma comunhão perpétua e consoladora liga os mortos e os vivos entre si.

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