ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 93ª edição | 09 de 2012.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Fenômenos paranormais diversos e a Globo

 

     Desta vez nossa apresentação literária está conectada a um programa de televisão cuja duração desconhecemos e que talvez quando esta edição estiver circulando o mesmo não esteja mais sendo levado ao ar. Porém, ainda assim, julgamos importante e oportuno oferecer aos nossos leitores algumas ideias sobre o tema, bem como alternativas seguras de fontes de informação.

     Estamos nos referindo à série Phantasmagoria no programa “Fantástico”. Aliás, segundo o que nos foi passado, a Rede Globo teria recebido queixas de setores espíritas e umbandistas pelo uso indevido do termo, pois naquilo que se pretende ali comprovar – ou não – são manifestações de espíritos de pessoas que já desencarnaram e o vocábulo “fantasmas” possui uma conotação que apela ao sobrenatural, ao fantástico – sem trocadilhos – e ao imaginário. Mas temos que convir também que isso não passa de um detalhe pouco relevante uma vez que, embora inapropriado, já tem uso consagrado na literatura, no cinema e nas crendices populares.

     Ao lançarmos um olhar sobre o que o Espiritismo diz a respeito, não queremos desqualificar as informações, experiências e conclusões contidas no referido programa. Porém, apesar da tentativa de se passar um clima de seriedade, com neutralidade do apresentador, explicações supostamente científicas e até a inclusão de observações de uma pessoa espírita, causa estranheza não só a metodologia empregada como a intervenção de um mágico.

     Dentre as muitas obras existentes que tratam do assunto citaremos meia-dúzia aos que desejarem conhecer um pouco mais sobre o assunto. São elas: “Os Espíritos Comunicam-se por Gravadores” (Peter Bander, Edicel – 1985); “Animismo ou Espiritismo” (Ernesto Bozzano, FEB – 1944), “Os Mortos nos falam” (François Brune, EDICEL – 1994), “Fenômenos de Transporte” (Ernesto Bozzano, Calvário – 1972), “Contatos Interdimensionais” (Sonia Rinaldi, Pensamento – 2000) e “Você, o poltergueist e os locais mal-assombrados” (Hernani Guimarães Andrade, Didier – 2006).

     É deste últimoque exaramos as informações abaixo. O termo poltergueist deriva do alemão: polter = fazer ruído e gueist = espírito; logo, temos “espírito barulhento, desordeiro. Para alguns religiosos trata-se mesmo de manifestações diabólicas. Os fenômenos mais comuns são: quedas de pedras, objetos “voadores”, parapirogenia ou combustão espontânea, ruídos, batidas, estrondos, transporte de objetos “de” e “para” lugares fechados, os chamados apports, etc.

     Ocorrem em casas, sítios, terrenos e revelam certa dose de intencionalidade e inteligência, mas em geral longe das vistas humanas, o que, diga-se já, pelo rigor com que muitos são investigados, não oferecem margem a que se oponha dúvida à sua ocorrência.

     Na obra referida, Hernani Guimarães Andrade, sempre com ênfase no rigor científico, a despeito de ser também declaradamente espírita, desenvolve análises aprofundadas sobre diversos casos verificados no Brasil e alguns fora dele. Há o de Itapira-SP (1959) com pedras que caíam do forro em tal quantidade que era necessário usar pás para removê-las.

     Em Suzano-SP (1968) um estrondo como explosão e o início de incêndio dentro de um guarda-roupa; em Ipiranga-SP (1968-1973), palmas e batidas no assoalho; em Sorocaba-SP (1972) pancadas violentas nas janelas e portas, vozerio à noite. Num dos mais espetaculares que se tem notícia, no Paraguai em 1968, um jipe de 2500 Kg foi arremessado a 40 metros, além de um trilho de aço de 25 Kg e duas pedras de 10 Kg cada. Outros casos citados são o de Jaboticabal-SP (1960-1965), Piraporinha-SP (1978), Guarulhos (1973-1984), Osasco (1973), Mogi das Cruzes (1973), da Rua Frederico Abranches (1976).

     A hipótese de intervenção de espíritos nos fenômenos é a mais aceita. Seriam eles de uma ordem moral inferior agindo motivados por frequentes razões de vingança para com os moradores. Ou por não conseguirem se desvencilhar do ambiente no qual foram assassinados, por exemplo. Mas não é a única explicação. Os parapsicólogos tendem a ligar os fatos a uma função psicocinética do epicentro, geralmente uma criança ou adolescente de mente exaltada devido a tensões emocionais, repressão sexual, recalques, agressividade reprimida.

     Se há algumas evidências a favor desta hipótese, há outras em muito maior número para colocá-la em dúvida ou mesmo desmoralizá-la, fortalecendo a que atribui os fenômenos aos espíritos desencarnados. 

     Como cientista, porém, Hernani não descarta totalmente a hipótese materialista. Ele faz coro ao estudioso italiano Ernesto Bozzano ao dizer que se a mente – que para muitos é sinônimo de alma – pode produzir o fenômeno, por que depois de morto não poderia? E se o morto serve-se de energias do vivo, por que este não o faria sozinho?

     Hernani catalogou no Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas de Bauru-SP, do qual foi fundador e diretor até sua morte em 2003, 34 casos de poltergueist entre 1959 e 1976. Bozzano estudou 532 casos – 374 de assombrações e 158 de poltergueist. Já Alan Gaud e A. D. Cornell conseguiram apurar 500 casos todos deste tipo de fenômenos insólitos.

     Infelizmente, os casos apresentados até aqui na série “Phantasmagoria”, de poltergueist e de pretensas comunicações pela “dança do copo”, aparições, gravações eletrônicas, etc, deixam a desejar pelo modo quase ingênuo como são tratados, principalmente algumas das explicações do mágico-cientista que podem até satisfazer a razão para um certo momento e circunstâncias, mas nunca seriam capazes de convencer que os fenômenos alegados naqueles locais, afinal, não são verdadeiros. 

     Uma sombra, uma gota de água, um estalo de madeira talvez expliquem as ocorrências denunciadas pelos conhecedores dos locais investigados. Afinal, se os supostos fatos não podem, em princípio, ser negados, também não podem receber a chancela de autênticos. Allan Kardec, ao tratar da fenomenologia espírita, especialmente a de efeitos físicos como estes, sempre alertou para que antes de se atribuir suas causas aos espíritos que se esgotassem todas as possibilidades das mesmas serem materiais.

     Porém, como se constata nas narrativas das obras aqui citadas e outros fenômenos sobejamente investigados no mundo inteiro, com quaisquer resultados apurados na referida série televisiva, não se poderá colocar em dúvida a possibilidade real de os mesmos virem acontecer.  Pelo fato de algo poder ser imitado por um mágico não se deve concluir que o verdadeiro não existe. Do fato de existir vinhos de má qualidade, dizia Kardec, não se segue que não haja os bons.

 

 

Um caso de poltergueist em Curitiba

 

     Os fatos enquadrados nesta categoria começaram no dia 26 de janeiro de 1993, no bairro Bacacheri, na capital paranaense, mas a imprensa só tomou conhecimento deles 15 dias após. Vidros quebrados, lâmpadas explodindo, levitações e ruídos.

     Um grupo de religiosos rezou durante uma semana e tudo parou, mas quando foi embora um menino, morador da casa, ficou “possuído” por um espírito que dizia ser Lúcifer, dono do local e do corpo do menino, e ameaçava atear fogo e matar toda a família.

     Nos dias seguintes a imprensa acompanhou o movimento de objetos; filmes e fitas gravadas ficaram “inaproveitáveis” e a casa tremeu. Um parapsicólogo declarou que um espírito não havia encontrado sua dimensão. Espíritas disseram que o menino tinha mediunidade e um grupo de pastores passou a impedir o contato da família com imprensa, outros religiosos ou médicos. O então vice-presidente da Federação Espírita do Paraná falou que se problema era espiritual ou de mediunidade, só com amor se resolveria. 

     Geraldo Dallegrave, outro parapsicólogo e notório inimigo do Espiritismo, afirmou que o assunto era caso para a ciência tratar e não a religião. E desandou a distribuir nomenclaturas ininteligíveis: “Esses adolescentes provavelmente tiveram um trauma psíquico que desencadeou uma psicobolia (vontade inconsciente) e essa transformou-se em psicorragia (derramento no inconsciente que enfraquece a mente e pode levar a problemas mentais irreversíveis)... organismo começou exteriorizar energia derramada através de telergia (sentido até 50 metros) e produzir movimentos de objetos”.

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