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Jornal Comunica Ação Espírita | 100ª edição | 11 de 2013.

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  • Orson Peter Carrara (orsonpeter@yahoo.com.br) Orson Peter Carrara (orsonpeter@yahoo.com.br)

Contribuição confundida com pagamento

 

Orson Peter Carrara (*)

orsonpeter@yahoo.com.br

 

Um questionamento interessante surgiu durante a realização do Encontro Cairbar Schutel, em Araraquara, no último final de semana de setembro de 2013, em sua terceira edição. Um dos participantes indagou a razão de ter havido taxa de inscrição para o evento. E a pergunta foi feita com a expressão nestes termos: Por que tivemos que pagar para participar?

A pergunta traz reflexões de importância. Afinal não é pagamento, é contribuição que viabiliza a realização do evento. A pessoa que perguntou não se deu conta da estrutura do evento, montada para um público de setecentas pessoas. É um evento realizado fora do ambiente espírita, em local alugado.

Não percebeu que o a estrutura de som, alimentação e limpeza igualmente foram terceirizados. Que o custo inclui passagens aéreas dos palestrantes, refeições, traslados rodoviários e hospedagens. Não se deu conta igualmente que o próprio alimento que ingeriu tem um custo.

Ao iniciar os esclarecimentos sobre a questão, contra-argumentou: mas o lanche não é colaboração, doação? Aí surge outra questão: doação de quem? Com que recursos?

O amigo que nos indagou, em verdade, não pagou absolutamente nada para participar do encontro; pagou uma parte das despesas que realizou a título de alimentação e hospedagem em um local seguro, climatizado e moderno e contribuiu para que "x" crianças e jovens com menos de 20 anos também pudessem participar e usufruir do mesmo conforto gratuitamente.

Um evento de pequeno ou grande porte importa em despesas que o viabilizem. Isso envolve hospedagens, refeições, aluguel de som e local, impressos, limpeza, entre outras como deslocamentos, pedágios, etc.

Uma inscrição não é pagamento, é contribuição para o evento. Os congressos, os encontros anuais que visam reunir um grande número de pessoas é iniciativa que viabiliza realizar o que muitas vezes não é possível fazer numa instituição.

Há que se pensar na questão. Para falarmos ou criticarmos é preciso antes conhecer os detalhes, as circunstâncias, para não incorrermos no grave risco de comentários ou questionamentos sem fundamento ou desprovidos do conhecimento que esclarece.

E como temos o direito de perguntar, achei importante abordar a questão.

No caso em questão, os custos do evento foram cobertos com patrocínios, venda de livros e a inscrição do participante, de valor irrisório (R$ 25,00 em média) e ofertando ao participante três momentos diferenciados de alimentação, além de água, suco e café, que possibilitaram um evento de expressão para reflexões e união dos espíritas.

Basta observarmos a estrutura de um evento fora de uma instituição espírita: aluguel do local, do som, refeições, deslocamentos, impressos, limpeza e tudo mais...  Pensar um pouco nos ajuda a entender isso.

E convenhamos: tudo dá para fazer por meio de voluntários? Em muitos casos, sim. Em outros não. Cada caso, isoladamente, merece uma análise cuidadosa para não nos precipitarmos em julgamentos. E, por outro lado, é muito salutar colocar a Doutrina Espírita em locais públicos leigos. O que ocorre é que nem sempre pensamos que nossa participação é fundamental para viabilizar tais ocorrências. Gastamos muito mais dinheiro com ocupações fúteis e ainda reclamamos de uma irrisória taxa de inscrição com tantos benefícios agregados? É preciso pensar mais, refletir, antes de reclamar e criticar. 

 

(*) Expositor, articulista, autor dos livros “Causa e Casa Espírita” e “Espíritos: Quem são? O que fazem? Onde estão? Por que nos procuram?”

 

Um copo d’água, por caridade!

Da Redação

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