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Jornal Comunica Ação Espírita | 69ª edição | 09 de 2008.

Redação do texto jornalístico - XIII

Por Y. Shimizu

Um dos vocábulos mais empregados na redação do texto jornalístico sem dúvida é a palavra QUE, pela diversidade de sua utilização, tanto no seu aspecto morfológico, como no sintático.

No aspecto morfológico, de acordo com Nicola e Terra, “a palavra que pode ser:

  1. Substantivo: quando equivale a alguma coisa. Nesse caso, virá sempre determinada e acentuada. Ex: Ela tem um quê de sedutor.
  2. Preposição: quando vem ligando dois verbos de uma locução verbal. Equivalerá a de. Ex: Tenho que apresentar um recurso.
  3. Interjeição: quando exprime espanto, admiração, surpresa. Nesse caso será acentuada e seguida de ponto de exclamação. Usa-se também a variação o quê! Ex: Quê! Você ainda não tomou banho?
  4. Partícula expletiva ou de realce: quando pode ser tirada da frase, sem prejuízo algum ao sentido. Nesse caso, a palavra que não tem função alguma...é usada apenas para realce. Como partícula expletiva aparece também na expressão é que. Ex: Quase que ele foi atropelado.
  5. Advérbio: quando modifica um adjetivo ou um advérbio. Equivalerá a quão. Ex: Que longe fica aquele bairro.
  6. Pronome: enquanto pronome, a palavra que pode ser: a) pronome relativo: quando retoma um tempo de oração antecedente, projetando na oração conseqüente. Equivalerá a “o qual” e flexões. Ex: Não recebemos os livros que encomendamos” (1998, p.190 e 191); b) pronome interrogativo: pode ser: i. pronome substantivo: equivale a que coisa. Ex: Que aconteceu com seu sapato? ii. pronome adjetivo: quando determina um substantivo (substitui qual) Ex: Que igreja freqüentas aos domingos? (Sacconi, 1990, p.191).

Consoante os gramáticos mais consagrados, que pode ser, ainda, uma conjunção, quando liga duas orações. A palavra que se enquadra na subclasse de conjunção coordenativa explicativa, quando expressa idéia de explicação, motivo ou razão. Ex: Vá logo para casa, que as ruas vão se escurecer.

Ela pode ser arrolada na subclasse de conjunção subordinativa quando conecta duas orações em que uma será dependente da outra. Quando a conjunção que introduz uma oração substantiva (que exerce a função de sujeito, de objeto direto, de objeto indireto, de complemento nominal, de predicativo e de aposto), ela é denominada integrante. Ex: É necessário que pagues as dívidas (sujeito). A mãe esperou que o filho saísse de casa (objeto direto). Lembra-te de que o fulano é caloteiro (objeto indireto). O pai tinha a certeza de que o filho iria ao cinema (complemento nominal). Meu receio é que ele não apareça (predicativo). Só peço uma coisa: que não vá hoje para a farra (aposto).

Quando a conjunção que (ou uma locução que contenha que) introduz uma oração que explicite uma circunstância, ela é denominada adverbial e pode ser:

  1. causal (que, porque, visto que, já que, uma vez que).Ex: O copo cai da mão que está frouxa.
  2. comparativa (que, do que). Ex: Ela recebeu mais brindes do que outros fregueses.
  3. concessiva (que, ainda que, mesmo que, se bem que, apesar de que, posto que). Ex: Ainda que vá a pé, chegará ainda hoje na casa do patrão.
  4. condicional (que, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que, sem que). Ex: A menos que ocorra um imprevisto, estarei amanhã na sua casa.
  5. conformativa (que). Ex: Que eu saiba, ele só tem dois filhos.
  6. consecutiva (que, tal que, tanto que, sem que). Ex: Ele não falava cinco minutos, sem que pronunciasse um palavrão.
  7. temporal (que, logo que, depois que, sempre que, desde que, a última vez que). Ex: Logo que ele terminar a lição, poderá sair contigo.
  8. final (que, para que, a fim de que). Ex: Vou apelar ao chefe para que seja mais tolerante.
  9. modal (que, de modo que, de maneira que, de forma que). Ex: Ele se agachou atrás da mesa, de forma que não fosse visto pelo policial.
  10. proporcional (que, à proporção que, à medida que, ao passo que). Ex: À medida que evolui a Informática, o desemprego aumenta.

Ao construir a oração, é importante levar em conta que numerosos verbos transitivos diretos exigem objeto direto nominal, mas não aceitam a oração objetiva direta. Dentre esses verbos, mencionam-se: alertar, antecipar, apontar, aprovar, citar, comentar, defender, definir, denunciar, descrever, difundir, divulgar, expor, falar, indicar, justificar, lamentar, mencionar, narrar, proferir, referir, registrar e relatar. (Squarisi, 2005, p. 38) (Martins, 1997).

Eduardo Martins lembra que em certos casos a preposição que acompanha o que (pronome ou conjunção) deve estar expressa na oração e em outros pode ser omitida (elipse). Assim, a preposição é obrigatória quando o que tem um antecedente. Ex: Foi a melhor palestra a que a classe assistiu. Também deve ser mantida a preposição, quando o que introduz uma oração que completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Ex: Não há dúvida de que suas declarações serão desconsideradas. (1997, p. 244).

Referências

NICOLA, J. de e TERRA, Ernani. 1001 dúvidas de português. São Paulo: Saraiva, 1998.
SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática. São Paulo: Atual, 1990.
MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo. 3.ed. São Paulo: Moderna, 1997.
SQUARISI, Dad. Manual de redação e estilo. Brasília: Fund. Assis Chateaubriand, 2005.
CEGALLA, Domingos P. Novíssima gramática da língua portuguesa. S.Paulo: Nacional, 1997

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